sexta-feira, 10 de julho de 2009

O charme do velho mundo

- O charme do velho mundo - disse Vasco, içando-se do balcão. - O Arménio não pode comprar isso. Oh, estou quilómetros à frente desse rapaz e ele nem sequer sabe disso. Eu viajei, sabes, e compreendo a mentalidade moderna. Na América, se uma coisa tem cem anos, é venerada. Eu sei porque é que os turistas vão vir.
Teresa acenou que sim com a cabeça, sem saber o que ele tinha dito. As palavras de António ao almoço surgiam aqui e ali, e o seu sentido era o mais claro possível. "Eu estou preparado, sabes." Ela mantinha o rosto voltado para baixo. Mãe Misericordiosa, os sujos mecanísmos de tudo aquilo!
- Ums pratos antiquados - disse Vasco beijando as pontas dos dedos. - Isso vai trazê-los a voar. Sabes o que eu fiz hoje? Uma salada de orelha e rabo de porco, tal como a minha mãe costumava fazer, com um bocadinho de cebola crua, alho, coentros, azeite e vinagre. Tão saborosa que nem a quero vender. Provei-a e disse: "Então, vasco, será justo? Será justo atacar o jovem Arménio com uma arma secreta como esta?" - Rui-se e tossiu e segurou o peito como se ele pudesse fugir a voar.

Alentejo Blue
Monica Ali
A Ler por aí... no Litoral Alentejano














Foto retirada do blog Elvira's Bistrot

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