domingo, 16 de março de 2008

Boas vindas

O palácio Salina era contíguo à Igreja Matriz. A pequena fachada com sete varandas sobre a praza não deixava imaginar a dimensão do edifício, cujas traseiras se prolongavam numa extensão de duzentos metros: eram construções de estilos diferentes, mas harmoniosamente dispostas em torno de três amplos pátios que davam para um grande jardim todo murado. Na entrada principal que dava para a praça, os viajantes foram sujeitos a novas manifestações de boas-vindas. Don Onofrio Rotolo, o intendente da casa, não participara, nunca participava, nas recepções oficiais à entrada da povoação. Educado na rígida escola da princesa Carolina, considerava o vulgus como inexistente e o Príncipe como residente no estrangeiro enquanto não transpusesse o limiar do seu palácio; por isso estava ali, a dois passos à frente do portão, baixíssimo, velhíssimo, barbudíssimo, ao lado da mulher, que era bastante mais nova do que ele e opulenta, rodeado pelos criados e pelos oito guardas com o Leopardo de outo no barrete e, nas mão, oito espingardas de uma inoquidade muito duvidosa. "Estou feliz por dar a Vossas Excelências as boas vindas a esta vossa casa. Entrego o palácio no mesmo estado em que foi deixado."

O Leopardo
G. Tomasi di Lampedusa
A Ler por aí... na Sicília, Itália

Nenhum comentário: