terça-feira, 9 de novembro de 2010

Choteiros

Enquanto eles vão ao farol, nós vamos aos níscaros. Não, aos choteiros. Altos, esguios, de chapéu largo e achatado. São elegantes. Continua a não ser ainda o tempo deles, mas podemos adivinhá-los no monte. Quando surgem à vista, a paisagem gira em volta, havendo ali o ponto das concórdias. Antes de ouvirmos o estalo ao retirá-lo da terra, agradecemos a sua presença. Olhamo-lo sem pressa de o ter na mão e o seu castanho terroso anuncia simpatia. Este que viemos encontrar tem um palmo de diâmetro no chapéu. É um belo exemplar, mas intriga o corpo essencial que ficou nas nervuras do solo, o coração subterrâneo. Não iremos conhecer os filamentos ocultos, deixá-los ficar. Outros pés hão-de romper para a luz noutro lugar.

Cornos da Fonte Fria
Abel Neves
Ler por aí... em Pitões das Júnias, no Gerês
Sugestão de Novembro 2010

Foto do choteiro retirado do blog Vila de Ruivães:http://vilaruivaes.blogs.sapo.pt/440024.html)

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